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Q U I E T U D E
 Veronica de Nazareth - Noic@


Em ninho de quietude
abriga o silêncio,
memoriza telas inacabadas
e guarda as aquarelas do depois.
O pincel mágico está suspenso
no ar das interrogações,
à espera de outras toadas.
Não murmure o vento,
nem venham pardais em locuções.
Silêncio absoluto,
que Hai Kai sem lamento,
a cortina das emoções.
Do primeiro ao quinto ato,
seqüência de lembranças
do imaginário ao fato.
Silêncio...Quietude...Água parada...
Mulher pensando, em auto-retrato,
viagem do tudo ao nada.
**
 
Quisera ser uma flor

Quisera ser uma flor
Pra ganhar beijos do beija-flor
Sinto-me pássaro me sinto flor
Em metáfora sou
Em metáforas ganho e dou
Na verdade nada ganho
Saudades dos beijos
Também metáforas
Dos beijos que não chegaram
Quisera ser uma flor
Pra ganhar beijos do beija-flor
Sou doce ele adoraria
E certamente voltaria
Pássaros são persistentes
Naquilo que os deixam contentes
Levaria o meu néctar
No bico. na garganta
E eu estaria pra sempre
Selada nas penas, na pele
Impregnada na verdade
De estar na respiração
Da troca de doação
Quisera ser uma flor
Pra ganhar beijos do beija-flor

Regina Romeiro
 
**
 
ESCUTA!
Lêda Mello


A mesa está posta.
Assenta-te ao meu lado!
Vês?
Nada artificial, exótico, complicado.
Tudo simples, como a natureza,
puro, como o olhar de uma criança,
recolhidos ao longo da estrada,
enquanto caminhei através da vida.

Pão, vinho, mel, frutos da terra...
O esvoaçante trigo juvenil,
 a suculenta uva adolescente,
o néctar da mocidade,
as sementes dos sonhos infantis,
 chegaram à mesa da maturidade.

Trazem consigo o calor do sol,
o raio de luar, o frescor da brisa,
o brilho da estrela, o sumo da terra,
a gosto de chuva, o labor de mãos,
que os trouxeram até aqui.

Vêm curtidos, transformados
nas formas definidas do pão que alimenta,
no vinho macerado, saboroso, aquecedor,
no mel que escorre farto, adoçando a vida ,
nos frutos sazonados pelas experiências vividas.

Vem, assenta-te ao meu lado!
Há sabores a serem descobertos,
paisagens não descortinadas,
toques a serem partilhados.
Seremos cúmplices convivas
na farta e fascinante refeição da vida.
 
**
 
Bilhete escrito, lágrima de saudade
Águida Hettwer
 
 
Abri os armários de recordações e deixei as emoções fluírem,
 folheando páginas viradas, vidas separadas, lugares distantes
ficaram para trás, através dos vidros da janela foi distanciando
 cada vez mais.
Páginas marcadas, perfume entranhado na alma há tanto tempo,
a letra quase que desenhada, histórias contadas, amores vividos,
paixões adormecidas, revivi cada momento.
Lágrima derramada, feito chuva repentina, embaciando a visão,
escorrem sem cessar, sinto a mesma
sensação de quinze anos atrás,
 como o coração adolescente e uma mente
 confusa e difusa querendo ser gente.
Lembranças guardadas, com sete chaves fechadas, baú de profundas
 emoções, rosas como marcadores de página, contam suas histórias
na doce melodia, na sensibilidade do toque dos dedos, nos olhos que
 se fecham na entrega do primeiro beijo.
Sapatilhas e meias de seda, vestidos de renda, colar de pérolas, no palco
 da vida, abriram-se as cortinas, ouço os aplausos, curvo a cabeça,
 segurando o vestido,
Na ponta do pé e mãos ao alto, desenho no ar movimentos suaves e delicados,
giro alguns segundos, no recitar do verso vejo o  mundo em minha volta.
Luzes da ribalta, na bruma da solidão,
perdem a razão, vivo apenas de emoções.
Bilhete selado, antigo e atual namorado,
versos recheados de paixão e ternura,
ainda guarda no olhar a mesma doçura, que
o tempo não apagou, traços marcados
 pela maturidade, a idade pouco importa,
menino corre, abre as portas onde
a luz permeia, estou grudada nessa teia de ilusões.

**
 
Pó de Estrelas
Maria Thereza Neves

Meu mundo não é este
eu vim do céu , das estrelas
aqui, sou apenas uma faze.

Meu caminho vive a se perder
e eu tentando entender, não morrer
sobreviver até não mais me ver.

Quando nada mais de mim restar
 estiver calada e só
  melhor virar sonho e pó.
**
 
Regrado Labirinto
ElianeCouto Triska


Desvendas minh'alma poeta
De um regrado labirinto.
Sou silêncio ! diz o asceta
Sou força! diz o instinto.

No lago místicos reflexos
Olhos que não são os meus
Reúno todos os versos
Confusa: È o corpo teu!

Tuas mãos escolhem os temas
Teus olhos verdes mistérios
Na cabeça dois diademas
Um é falso, o outro é sério.

Colhida à inspiração
Bebo d'alma que é livre,
Solta desse cordão
 Fria teia em que me ative.

Jorram tal qual geômetra
Formas que desconheço,
Desenhadas em outras métricas
São versos que te ofereço.

Em destaque por Anna Paes às 23h38
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Encontro
Anna Paes

Ah, querido,
Quisera que tu estivesses bem pertinho
De mim...
Hoje, sempre...
Te  faria tão feliz!
Como jamais foste...
E sei que tu me farias feliz.
 
Nossa canção, não importa,
Como sempre é a mesma...
Soa  entoando cânticos
Que  vão da alma ao corpo...
Cantigas de amor, de amar,
De Ninar e doar...
Doação, na ação conjunta de dois corpos que se amam...
Desejam,  anseiam...
 
Ah, querido!
Tu, somente tu poderias trazer-me
A tão esperada felicidade...
Dentro de caixa  dourada...
Ou em mãos, apenas as suas mãos abertas,
Oferecendo-me  o mundo...
E este mundo que  desejo,
É apenas parte de teu amar...
 
De tua ilusão
Que me transporta em sonhos
A  lugares onde vivo feliz...
Onde  sinto o amor

15/01/2007

15:hs

Brasilia.  

**

Em destaque por Anna Paes às 21h16
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.::Sobre Mim::.


Eu sou Anna Paes, moro em Brasília, nasci em Itumbiara - Goiás. Criei o Poesia Em Destaque para prestar uma singela homenagem aos Amigos e Poetas que chegam em minha telinha todos os dias.
Então este Blog é SEU, é NOSSO! Obrigada e sejam
::.bem vindos.::
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Com(passo)
Anna Paes

Escrevo
Enquadro
Apago

Abr)o( com(passo)
)lento(
Giro

Num esquadro
90 graus
Encho o espaço
Traço

Desisto
Não é isto.
Apago

Recomeço

Num com(passo) aberto
360 graus
Revejo...
Que traçado indecente!
Não apago!

Giro
(É a vida...
Em círculos... sem fim!)


***


Graves e Agudos..
(Tanto mar a nos separar!)
Anna Paes


Em algum lugar
Meus olhos encontram os teus.
Neste lugar recebemos
As bênçãos de Deus.


Em algum lugar
Nossas mãos se procuram
Em carícias demoradas
Sentimos nosso corpo vibrar.


Em algum lugar
No tempo presente
A distancia desaparece,
A ausência não existe.


Nossos corações batem uníssonos,
Uma suave melodia
Em sol maior.


A natureza se enche de poesia,
No ar espalha a melodia
Entre graves e agudos gemidos,
É o hino da vida.


Em algum lugar
Hás de me encontrar
Juntos dançaremos nossa melodia,
Não será mais simples fantasia.


Meus olhos serão espelho
De teus desejos,
Teus olhos o reflexo do meu amor.


Neste mar de sentimentos
Vem nadar... Vem amar...
Até se cansar.

Anna Paes




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