Q U I E T U D E
Veronica de Nazareth - Noic@
Em ninho de quietude
abriga o silêncio,
memoriza telas inacabadas
e guarda as aquarelas do depois.
O pincel mágico está suspenso
no ar das interrogações,
à espera de outras toadas.
Não murmure o vento,
nem venham pardais em locuções.
Silêncio absoluto,
que Hai Kai sem lamento,
a cortina das emoções.
Do primeiro ao quinto ato,
seqüência de lembranças
do imaginário ao fato.
Silêncio...Quietude...Água parada...
Mulher pensando, em auto-retrato,
viagem do tudo ao nada.
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Quisera ser uma flor
Quisera ser uma flor
Pra ganhar beijos do beija-flor
Sinto-me pássaro me sinto flor
Em metáfora sou
Em metáforas ganho e dou
Na verdade nada ganho
Saudades dos beijos
Também metáforas
Dos beijos que não chegaram
Quisera ser uma flor
Pra ganhar beijos do beija-flor
Sou doce ele adoraria
E certamente voltaria
Pássaros são persistentes
Naquilo que os deixam contentes
Levaria o meu néctar
No bico. na garganta
E eu estaria pra sempre
Selada nas penas, na pele
Impregnada na verdade
De estar na respiração
Da troca de doação
Quisera ser uma flor
Pra ganhar beijos do beija-flor
Regina Romeiro
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ESCUTA!
Lêda Mello
A mesa está posta.
Assenta-te ao meu lado!
Vês?
Nada artificial, exótico, complicado.
Tudo simples, como a natureza,
puro, como o olhar de uma criança,
recolhidos ao longo da estrada,
enquanto caminhei através da vida.
Pão, vinho, mel, frutos da terra...
O esvoaçante trigo juvenil,
a suculenta uva adolescente,
o néctar da mocidade,
as sementes dos sonhos infantis,
chegaram à mesa da maturidade.
Trazem consigo o calor do sol,
o raio de luar, o frescor da brisa,
o brilho da estrela, o sumo da terra,
a gosto de chuva, o labor de mãos,
que os trouxeram até aqui.
Vêm curtidos, transformados
nas formas definidas do pão que alimenta,
no vinho macerado, saboroso, aquecedor,
no mel que escorre farto, adoçando a vida ,
nos frutos sazonados pelas experiências vividas.
Vem, assenta-te ao meu lado!
Há sabores a serem descobertos,
paisagens não descortinadas,
toques a serem partilhados.
Seremos cúmplices convivas
na farta e fascinante refeição da vida.
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Bilhete escrito, lágrima de saudade
Águida Hettwer
Abri os armários de recordações e deixei as emoções fluírem,
folheando páginas viradas, vidas separadas, lugares distantes
ficaram para trás, através dos vidros da janela foi distanciando
cada vez mais.
Páginas marcadas, perfume entranhado na alma há tanto tempo,
a letra quase que desenhada, histórias contadas, amores vividos,
paixões adormecidas, revivi cada momento.
Lágrima derramada, feito chuva repentina, embaciando a visão,
escorrem sem cessar, sinto a mesma
sensação de quinze anos atrás,
como o coração adolescente e uma mente
confusa e difusa querendo ser gente.
Lembranças guardadas, com sete chaves fechadas, baú de profundas
emoções, rosas como marcadores de página, contam suas histórias
na doce melodia, na sensibilidade do toque dos dedos, nos olhos que
se fecham na entrega do primeiro beijo.
Sapatilhas e meias de seda, vestidos de renda, colar de pérolas, no palco
da vida, abriram-se as cortinas, ouço os aplausos, curvo a cabeça,
segurando o vestido,
Na ponta do pé e mãos ao alto, desenho no ar movimentos suaves e delicados,
giro alguns segundos, no recitar do verso vejo o mundo em minha volta.
Luzes da ribalta, na bruma da solidão,
perdem a razão, vivo apenas de emoções.
Bilhete selado, antigo e atual namorado,
versos recheados de paixão e ternura,
ainda guarda no olhar a mesma doçura, que
o tempo não apagou, traços marcados
pela maturidade, a idade pouco importa,
menino corre, abre as portas onde
a luz permeia, estou grudada nessa teia de ilusões.
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Pó de Estrelas
Maria Thereza Neves
Meu mundo não é este
eu vim do céu , das estrelas
aqui, sou apenas uma faze.
Meu caminho vive a se perder
e eu tentando entender, não morrer
sobreviver até não mais me ver.
Quando nada mais de mim restar
estiver calada e só
melhor virar sonho e pó.
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Regrado Labirinto
ElianeCouto Triska
Desvendas minh'alma poeta
De um regrado labirinto.
Sou silêncio ! diz o asceta
Sou força! diz o instinto.
No lago místicos reflexos
Olhos que não são os meus
Reúno todos os versos
Confusa: È o corpo teu!
Tuas mãos escolhem os temas
Teus olhos verdes mistérios
Na cabeça dois diademas
Um é falso, o outro é sério.
Colhida à inspiração
Bebo d'alma que é livre,
Solta desse cordão
Fria teia em que me ative.
Jorram tal qual geômetra
Formas que desconheço,
Desenhadas em outras métricas
São versos que te ofereço.